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domingo, 27 de março de 2022

 

Histórias dos refugiados de Barrancos


No verão de 1936, a aldeia de Barrancos, foi invadida por refugiados espanhóis que escapavam da guerra civil. Ao contrário de outras zonas do país, as autoridades locais não os expulsaram, mas tentaram ajudá-los. Ainda hoje há memórias claras da presença dos refugiados espanhóis, especialmente republicanos, que atravessaram a fronteira para fugir à guerra civil que devastava o seu país.
A guerra civil de Espanha (1936-1939), que resultou de um golpe militar contra o governo democrático da II República, e terminou com milhares de mortos, transformou-se num conflito à escala internacional, e trespassou a fronteira portuguesa.
Em 1936 Salazar não deu nenhuma ordem específica para pôr do lado de lá da fronteira os fugidos da guerra. Só o fez em 1937, mas antes, ainda que informalmente, havia ordens para tratar as pessoas que chegavam como pessoas que não interessavam, porque eram republicanos e vistos como comunistas. No primeiro ano de guerra, Salazar não se imiscuiu muito. Só mais tarde, quando percebeu que Franco iria ganhar, é que começa a manifestar-se mais. De qualquer forma, logo desde o início, havia um alinhamento com Franco por causa do perigo do comunismo.
No concelho de Barrancos ocorreram dois dos maiores fluxos de refugiados. O Governo português apoiou os nacionalistas e costumava expulsar os refugiados ou entregá-los aos homens de Franco, mas em Barrancos nada disso aconteceu. O tenente Seixas, comandante local da Guarda Fiscal, permitiu a criação de um campo de refugiados que acolhidos nas herdades da Coitadinha (atualmente um alojamento Rural) e das Russianas, onde os fugitivos se abrigaram e receberam assistência. A população local também colaborou de todas as formas possíveis.
O oficial seria mais tarde julgado por desobediência, mas conseguiu salvar cerca de 300 pessoas. Em Oliva de la Frontera no outro lado da fronteira há um memorial de homenagem ao tenente Seixas e ao povo de Barrancos
A partir de determinada altura, os refugiados concentrados naquela zona já eram tantos - cerca de 800 - que o governo, até por pressões internacionais, viu-se obrigado a autorizar o campo. Ainda assim, a fronteira é fechada para tentar estancar o problema e é então que o tenente Seixas decide, à revelia, permitir que continuem a entrar e cria um segundo campo, quilómetros ao lado.
Uma das grandes preocupações de Salazar era o dinheiro que o Estado estava a gastar para alimentar todas aquelas pessoas. Os espanhóis não representavam um perigo. Para ele era, no essencial uma questão de tesouraria.
Até que Salazar percebe que tem de resolver o problema, e decide colocar todos os 1020 refugiados num navio, o Niassa, e fazê-los seguir para Tarragona, que ainda estava nas mãos dos republicanos.
 
                                   Herdade da Coitadinha
O monte da Herdade da Coitadinha, foi recuperado e é atualmente uma unidade de turismo rural com seis quartos, e um restaurante
Na grande varanda da Casa do Monte temos ótimas vistas para o Castelo de Noudar.

Contactos/ Reservas 285 950 000   www.parquenoudar.com










sábado, 26 de março de 2022

 

Fronteira de Barrancos - Encinasola



Barrancos
É o concelho alentejano mais pequeno da margem esquerda do Guadiana. Apenas uma única povoação “Barrancos” que é sede de concelho e freguesia, tem cerca de dois mil habitantes. 
O isolamento dita a vida local, Barrancos não é um local de passagem, temos de ir e voltar, ou então prosseguir viagem por Espanha. Esta comunidade é conhecida pelas suas particulares afinidades com o país vizinho, desde uniões entre casais dos dois países, de fugas no tempo da guerra civil espanhola e do contrabando.
Muitas são as histórias de contrabando que se praticou durante centenas de anos. Este foi um local de trocas comerciais não oficiais, feitas próximo da fronteira, nos locais de mais fácil passagem e refúgio do rio Ardila. Tudo servia para comerciar, mantendo-se assim uma rede de solidariedade que ajudou à sobrevivência e melhoria das condições de vida das gentes do interior.



Miradouro e jardim na rua 1º de Dezembro


Praça da Liberdade e Torre do Relógio








Castelo de Noudar

Em Barrancos encontra-se uma das mais importantes fortalezas medievais do sistema defensivo da fronteira sul portuguesa. É Monumento Nacional desde 1910, e atualmente, propriedade da Câmara Municipal de Barrancos, é o ex-libris do concelho, foi construído nos inícios do século XIV, pela ordem de Avis.
O nome Noudar significa olhar, deriva da sua função de atalaia junto à antiga via que ligava Beja e Moura a Jerez de los Caballeros em Espanha
O acesso ao Castelo de Noudar é por uma estrada em terra que está em mau estado, Noudar foi uma aldeia que chegou a ter 200 pessoas, foi abandonada em meados do século XIX.  O castelo está situado 12 km a norte de Barrancos encostado à raia, em pleno Parque de Natureza de Noudar, um segredo bem guardado em Barrancos, que mantém um ambiente preservado em que as atividades agrícolas e florestais se desenvolvem em profundo respeito pelos ecossistemas naturais, numa paisagem em que predomina o montado de azinheira.





Fonte da Pipa

No acesso a Noudar, passamos por um local bonito, como que um oásis naquela região. 
A Fonte da Pipa fica localizada na margem esquerda da ribeira de Múrtega, o local tem um açude, um antigo moinho de água e a fonte junto à qual existe uma imagem da Senhora da Pipa. A ribeira de Múrtega (em castelhano: río Múrtigas), é um rio internacional que define parte da fronteira, nasce em Espanha no município de Fuenteheridos, em pleno Parque Natural da Serra de Aracena e Picos de Aroche e desagua em Portugal na margem esquerda do Rio Ardila, depois de percorrer 80,8 km. 

Ponte sobre a ribeira de Múrtega, e acesso ao Castelo de Noudar








Antigo moinho de água

Fronteira de Barrancos – Encinasola

Liga a localidade alentejana de Barrancos à espanhola Encinasola, através de uma pequena ponte. Devido ao isolamento de Barrancos esta é a localidade mais perto, cerca de 9 km. Com Encinasola também se passa o mesmo tem Barrancos como a sua localidade mais próxima.






Indicação da divisória territorial



                                      Sinalética bem antiga


Encinasola

Município da província de Huelva com cerca de 1400 habitantes, situado no Parque Natural da Serra de Aracena e Picos de Aroche. Foi o único povoado fronteiriço de toda a província de Huelva que manteve a sua fronteira intacta com Portugal e jamais chegou a ser conquistado pelos portugueses. Por Encinasola passaram os Celtas, Romanos, Visigodos e Árabes, sendo da época destes, que há mais vestígios como, o atual desenho da povoação, a construção do castelo e os arrabaldes, havendo vestígios de uma antiga mesquita. 


Forte de San Juan


Castelo de Encinasola


Ermita de San Juan

Igreja de San Andrés




Plaza Mayor