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sexta-feira, 15 de abril de 2022

 Fronteira de Ouguela - Alburquerque
Liga a aldeia medieval de Ouguela, e o município de Campo Maior ao município de Alburquerque localizado a 22 km no outro lado da fronteira, província de Badajoz.


Ouguela
É uma aldeia medieval do concelho de Campo Maior com cerca de 60 habitantes, localizada num monte alcantilado a cerca de 270 metros de altitude. Por aqui passaram Romanos, Visigodos e Mouros. A aldeia divide-se entre o exterior e o interior das muralhas defensivas do Castelo, construído por volta de 1300, foi uma das praças-fortes que defendia o alto Alentejo das invasões castelhanas, e foi um importante instrumento defensivo, durante a Guerra da Restauração, a Guerra de Sucessão de Espanha e a Guerra das Laranjas, sendo por diversas vezes cercado e atacado pelas forças Espanholas. 

Click no link e veja o vídeo de Ouguela








                    Paisagem alentejana com Espanha no Horizonte

De Ouguela à linha de Fronteira são 5 km





Marcos fronteira de Portugal e Espanha

Da fronteira até Alburquerque são 17 km

Alburquerque
É um município raiano de Espanha da província de Badajoz, com cerca de 5500 habitantes, localizado bem no centro da antiga província romana da Lusitânia. Tendo Portugal se envolvido na Guerra de Sucessão Espanhola, a praça de Alburquerque esteve sob o domínio português de 1705 a 1715. 

                                 Click no link e veja o vídeo de Alburquerque

https://youtu.be/19Obv2MH2bs




Castelo de la Luna
No alto de um monte rochoso, ergue-se o imponente Castillo de Luna, monumento nacional desde 1924, foi erguido entre os séculos XIII e XV, e teve grande importância estratégica e vigilante da fronteira luso-espanhola.
D. Afonso de Sanches, filho bastardo de D.Dinis foi o primeiro Senhor deste Castelo que teve um papel crucial na conquista de Portugal, visto que uma parte do grosso das forças terrestres de Filipe II de Espanha invadiu Portugal por aqui. Mais tarde, durante quase uma década foi uma praça-forte portuguesa durante a Guerra de Sucessão Espanhola (entre 1705-1715), só devolvida com o Tratado de Utrecht. Ainda hoje, à entrada do Castelo, podemos ver os baluartes em estilo Vauban feito pela engenharia militar portuguesa.
Durante a Guerra de Independência Espanhola (1808-1814), foi saqueado pelas tropas francesas de Napoleão Bonaparte, após a defesa heroica da população local.
Durante a Guerra Civil Espanhola, foi parcialmente destruído e recuperado anos mais tarde.



Porta de Valencia

Igreja de Santa Maria do Mercado

Porta da vila, acesso ao antigo bairro 
judeu


Ruas do antigo bairro judeu



Plaza de España

Torre do relógio

quarta-feira, 13 de abril de 2022

 

Histórias dos povos da Raia
 Campo Maior 1944, a operação secreta que abalou o Alentejo


A polícia política de Salazar montou uma operação em 1944 para eliminar uma das muitas bolsas de refugiados espanhóis existentes na fronteira. A colaboração da Guardia Civil e a participação ativa do exército português levaram à captura de mais de duas dezenas de homens cujo destino ainda se desconhece.
A noite de 13 de novembro de 1944 foi muito fria. A estação meteorológica de Campo Maior registou uma mínima de 6,7ºC, que desceriam para os 4,5 graus na noite seguinte. O frio, porém, não foi o pior dos elementos que se abateram sobre um território do concelho entre a vila de Campo Maior e as aldeias de Ouguela e Degolados. Naquelas duas noites, uma invulgar atividade humana quebrou o silêncio dessas extensões planas e pregou valente susto aos poucos que, pela madrugada, atravessaram aquelas paragens para trabalhar no campo ou, quem sabe, trilhando rotas de contrabando.
Cerca de uma centena de militares, soldados da GNR e agentes da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado concentraram-se nas noites de 13 e 14 de Novembro de 1944 em vários pontos, numa operação conjunta entre forças portuguesas e espanholas. Primeiro na Referta da Ouguela, a uma dezena de quilómetros de Campo Maior e na noite seguinte nas Minas da Tinoca, no trajeto para Portalegre, com desvio pela aldeia de Degolados A sua missão: cercar, deter e identificar refugiados espanhóis, considerados "perigosos salteadores e comunistas", que se sabia viverem na zona conhecida pela polícia política como "República de Andorra", um vasto triângulo de terra sem controlo efetivo das autoridades cujos vértices eram Campo Maior, Ouguela e Degolados.
O Regimento de Cavalaria 1 de Elvas participou com um esquadrão misto, composto por 35 a 40 homens deslocados em três viaturas, A força da GNR, dispunha de 50 homens, 12 deles de cavalaria. A coordenação da operação estava a cargo do inspetor da PVDE António Roquete (a quem foi atribuído o assassínio em 1942 do médico António Ferreira Soares, perto de Espinho), secundado por quatro agentes cujos apelidos eram: Barros, Mesquita, Casaca Velez e Lemos.
Para impedir que os refugiados tentassem escapar ao cerco fugindo para Espanha, a Guardia Civil montou um dispositivo com 78 militares no outro lado da fronteira.
Devido ao frio intenso dessa noite foi distribuída aguardente entre os soldados, ás seis e meia da manhã começaram as movimentações. São efetuadas centenas de detenções, muitos são assassinados e outros desapareceram sem nunca nada se saber deles.
Tudo foi feito no maior secretismo e hoje só sabemos o que aconteceu graças à disciplina a um detalhado relatório sobre a preparação e desenvolvimento da operação que se encontra depositado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, presumivelmente da autoria do inspetor António Roquete.
Quem eram os homens e mulheres que viviam refugiados nas zonas de fronteira? Havia de tudo, refugiados políticos, fugidos à justiça, contrabandistas, gente que procurava melhorar a sua vida, gente com problemas diversos que preferia passar a raia. Eram pessoas de classe média ou baixa, habitualmente, eram homens entre os 18 e os 40 anos, relativamente envolvidos na política, em particular comunistas, socialistas, mas também alguns anarquistas ou apenas republicanos.
Uma notícia publicada pelo então clandestino jornal Avante, órgão central do PCP, lança um pouco de luz sobre estas dúvidas e interrogações. Na sua edição relativa à primeira quinzena de Maio de 1945, o jornal denuncia "os assassinos de Campo Maior" e acusa os "fascistas salazaristas" de terem assaltado "40 cabanas onde se albergaram 300 refugiados". Segundo a notícia, que não diz a data em que isso aconteceu, foram dadas ordens aos soldados para se apoderarem de dinheiro e bens. As roupas que encontraram são de seguida queimadas.
 

terça-feira, 12 de abril de 2022

 

Fronteira do Retiro / Campo Maior – Badajoz
Liga a localidade alentejana de Campo Maior com Badajoz pela estrada N-371 do lado português e pela BA-020 do lado espanhol, também chamada “carretera de Campo Maior”. As duas cidades estão separadas por 14 km.




Edifícios dos antigos postos fronteiriços 




             A diferença do piso define com precisão o limite fronteiriço



Campo Maior
Em Maio de 1297, o Tratado de Alcanizes assinado por D. Fernando IV, rei de Leão e Castela e D. Dinis, rei de Portugal, determina que Campo Maior juntamente com Olivença e Ouguela passam a fazer parte de Portugal.
O castelo de Campo Maior foi reedificado por D. Dinis em 1310, e foi no século XVII e XVIII que se levantaram fortificações tornando Campo Maior numa importante praça-forte de Portugal. Como reflexo da influência castelhana em Campo Maior, durante a Revolução de 1383-1385, a guarnição militar e os habitantes da vila colocam-se ao lado do rei de Castela, tornando-se necessário que o Rei João I de Portugal e D. Nuno Álvares Pereira se deslocassem propositadamente ao Alentejo com os seus exércitos para a cercarem durante mais de um mês e meio, tendo-a ocupado pela força em fins de 1388.
Desde os fins do século XV, muitos dos perseguidos pela Inquisição em Castela refugiaram-se em Portugal, tendo a população de Campo Maior aumentado substancialmente à custa da fixação de residência de muitos desses foragidos.
A comunidade judaica ou rotulada como tal era tão numerosa na vila no século XVI que nas listas dos apresentados em Autos de fé realizados em Évora pela Inquisição, Campo Maior aparece entre as terras do Alentejo com maior número de acusados de judaísmo.
A guerra com Castela a partir de 1640 vai produzir as primeiras grandes transformações, com a necessidade de fortificar a vila e construir uma nova cintura amuralhada para defesa dos ataques dos exércitos castelhanos,
A vila torna-se naquele tempo o mais importante centro militar do Alentejo, depois de Elvas e foi palco de cercos e batalhas com os castelhanos e com tropas francesas, mas a sua resistência foi tal que a vila ganhou o título de Vila Leal e Valorosa.



 Castelo e muralhas