domingo, 27 de novembro de 2022

 Couto Misto e os Povos Promíscuos


O Couto Misto, foi um país independente entre Portugal e Espanha, um microestado que durou 800 anos, mas do qual pouco se conhece e que juntou portugueses e espanhóis. Como resultado das complexas relações senhoriais medievais, essa terra iludiu o controlo português e espanhol durante séculos, operando como um estado soberano de direito próprio até o Tratado de Lisboa de 1864, que dividiu o território entre Espanha e Portugal


Estava localizado entre o Norte da serra do Larouco, na bacia do rio Salas, na Galiza, Espanha, e a fronteira norte do atual concelho de Montalegre, em Portugal. Era composto pelas aldeias de Santiago de Rubiás, Rubiás (no atual concelho galego de Calvos de Randim), e Meaus (no atual concelho galego de Baltar). O território do Couto Misto incluía também uma pequena faixa desabitada que hoje faz parte do concelho português de Montalegre.
Esta pequena nação independente existiu entre o século X e 1868, estendia-se por 27 quilómetros quadrados e por lá viviam apenas cerca de 800 habitantes, segundo dados estimados do ano de 1845.
E tal como qualquer país tinha regras muito próprias, normas, usos e costumes, segundo se sabe pelas informações que foram passadas de geração em geração, bem como pelos dados encontrados nos relatórios diplomáticos do Tratado de Lisboa, de 1864.
Foi precisamente após a assinatura deste tratado que a soberania e independência deste país se dissolveu, a sua condição era classificada como anómala e tanto a Espanha como Portugal determinaram por unanimidade que não se podia manter, porque era especialmente propícia ao contrabando e porque também bandos de delinquentes se albergavam naquelas terras.
Nesse tratado de Lisboa de 1864, os domínios do couto misto passaram para Espanha, integrados nos Concelhos de Calvos de Randín e Baltar. A Portugal ficou ainda destinada uma pequena faixa desabitada do Couto Misto e que foi integrada em Montalegre.
Em Portugal são os chamados povos promíscuos, divididos pela linha da raia, atuais Soutelinho da Raia, Cambedo da Raia e Lama de Arcos, em Chaves
Como um país independente de facto, os habitantes do Couto Misto tinham muitos direitos e privilégios, incluindo autogoverno, isenção de serviço militar e de impostos, direito ao porte de armas, entre outros, podiam até conceder asilo a foragidos da justiça portuguesa e espanhola, negar acesso a qualquer contingente militar estrangeiro, tinham direito de passagem nas estradas, liberdade de comércio e de cultivo. A região era uma espécie de offshore dos tempos antigos, visto que não havia obrigatoriedade de pagamento de impostos.
Os habitantes da região podiam escolher se queriam ter nacionalidade portuguesa, espanhola ou mista. O momento em que optavam por uma ou outra, era no dia do casamento: quem optasse pela nacionalidade portuguesa deveria beber um cálice de vinho pela honra e saúde do rei português, inscrevendo a letra “P”, de Portugal, à porta do domicílio conjugal. Já quem desejava a nacionalidade espanhola, deveria brindar à honra e saúde do rei espanhol, inscrevendo a letra “G”, de Galiza, na porta.
A governação de Couto Misto ficava a cabo de um juiz ou alcaide eleito pela população, que exercia as funções governativas, administrativas e judiciais. Essa pessoa era auxiliada pelos chamados “homens-bons”, também eleitos em cada um dos três povoados (Santiago, Rubiás e Meaus).

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Fronteira de Soutelinho da Raia – Espiño


Soutelinho da Raia
Soutelinho da Raia é aldeia do município de Chaves, com cerca de 100 habitantes. É uma típica aldeia da raia transmontana com casas em granito, que se desenvolveu literalmente em plena fronteira entre Portugal e Espanha. Antigamente a raia passava pelas ruas e casas da aldeia. Soutelinho da Raia era um dos designados povos promíscuos extintos pelo Tratado de Lisboa de 1864. 











3 km separam a aldeia portuguesa de Soutelinho da Raia, da aldeia espanhola de Espiño, no município de Oimbra, província de Ourense.
Uma particularidade da fronteira é que a última casa de Soutelinho situada na rua Fronteira está encostada mesmo na linha de fronteira, sendo que parte da casa estaria em solo espanhol antes do tratado de 1864.

Linha de fronteira nos limites da aldeia



Para além desta fronteira principal há mais três outros locais de passagem na aldeia, dois deles por caminho de terra





Tratado de Lisboa de 29 de setembro de 1864
Foi um tratado firmado entre as duas monarquias da Península Ibérica em pelo qual se fixaram definitivamente, em parte, as fronteiras ainda hoje vigentes desde a foz do Rio Minho até à confluência da Ribeira do Caia com o Rio Guadiana.
Com este tratado a Espanha cedia a Portugal os chamados "Povos Promíscuos" de Soutelinho da Raia, Cambedo, Vilarelho da Raia e Lama de Arcos. Aldeias que se haviam desenvolvido precisamente no local atravessado pela linha de fronteira, gerando assim conflitos com as autoridades aduaneiras dos dois países.
Passava para a tutela de Espanha, o chamado couto misto, uma região de soberania indefinida, reclamada pelos dois países, situada no norte de Chaves que englobava as aldeias de Santiago, Rubiás e Meaus, atualmente os municípios de Calvos de Randín e Baltar



quarta-feira, 23 de novembro de 2022

 Cambedo da Raia – aldeia mártir


Cambedo da Raia, é uma aldeia raiana, da freguesia de Vilarelho da Raia, concelho de Chaves, com cerca de 50 habitantes.
Até ao Tratado de Lisboa de 1864, a linha de fronteira com a Galiza situava-se no meio da aldeia, tendo a mesma recuado em favor do lado português. Três km por um caminho de terra separam esta aldeia da aldeia espanhola de San Cibrao no outro lado da fonteira.
A linha de fronteira está localizada no alto de uma elevação a 700 metros da aldeia e os marcos de fronteira no cimo de um bloco de granito.

Click no link e veja o vídeo destes locais
https://youtu.be/5ABI0MXrdjc

Os acontecimentos de dezembro de 1946
Esta aldeia transmontana acolheu, entre os anos de 1936 e 1946, inúmeros espanhóis, guerrilheiros ou exilados, antifranquistas que para ali procuravam guarida, tendo até havido uma batalha contra as autoridades luso-espanholas. Os guerrilheiros – anarquistas, socialista e comunistas – procuravam refúgio nas aldeias do lado português, atacando os alvos franquistas do outro lado da fronteira.
Durante décadas, na época da ditadura, Cambedo da Raia, foi uma aldeia maldita. O seu povo, na época cerca de 300 pessoas, era visto por um povo de malfeitores, acolhedor de fora-da-lei, criminosos de delito comum cuja companhia havia que evitar. Essa foi a narrativa criada pelo Estado Novo para explicar os acontecimentos que tiveram lugar dias antes do Natal de 1946.
A Guerra Civil de Espanha já estava oficialmente terminada desde 1939, mas o regime franquista continuava em busca de guerrilheiros galegos antifascistas.
Em Cambedo da Raia e noutras aldeias da raia transmontana escondiam-se alguns deles. Em 20 de Dezembro de 1946, ao raiar do dia, a aldeia acordou cercada por dezenas de efetivos da GNR, Guarda Fiscal e agentes da PIDE – tudo apoiado pela Guardia Civil espanhola. Vieram depois reforços da PSP e até do Exército (tropas do Regimento de Caçadores 10, de Chaves).
Choveram morteiradas sobre a aldeia – ainda hoje uma casa permanece destruída, houve buscas casa a casa, confrontos diretos entre os guerrilheiros e as autoridades, um inferno que se prolongou durante dois dias. Dois dos guerrilheiros procurados acabaram mortos, Juan Salgado Rivera e Bernardino Garcia, que terá preferido suicidar-se a render-se, um terceiro foi preso, nos confrontos também terão morrido dois soldados da GNR., houve também alguns feridos, incluindo uma menina; e foram presos oito galegos e 55 portugueses, dezoito dos quais de Cambedo. Estiveram presas, durante mais de um ano, acusadas de colaborarem com a resistência antifranquista.
A história foi quase ocultada na altura. Hoje vão-se conhecendo pormenores. É mais um momento importante da solidariedade raiana entre o povo português e os resistentes espanhóis, tal como aconteceu noutros lugares fronteiriços, como, por exemplo, Barrancos.





Acesso à linha de fronteira desde a aldeia



Marco de fronteira nº 229, empoleirado num bloco de granito






Residencial São Neutel
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terça-feira, 22 de novembro de 2022

 Fronteiras de Vilarelho da Raia e Vilarinho da Raia


                 Localização das fronteiras de Vilarelho da Raia


Vilarelho da Raia
Freguesia do município de Chaves, com cerca de 460 habitantes, fazem parte da freguesia as povoações de Vilarelho da Raia, Cambedo, Vila Meã e Vilarinho da Raia. Estas aldeias possuem diversas fronteiras com Espanha, ao longo da história, as fronteiras criaram formas de vida genuínas. As aldeias próximas à raia mantêm relações entre si que lhes conferem uma cultura própria, com costumes e tradições únicas. Diversos trilhos dos antigos Caminhos do Contrabando percorrem algumas das populações raianas cujos habitantes contam histórias sobre saídas noturnas através dos montes, para contrabandear café, cereais e todo o tipo de mercadorias.

                                  Click no link e veja o vídeo destes locais
                                       https://youtu.be/5ABI0MXrdjc

Fronteira Vilarelho da Raia – Rabal
Liga a Aldeia de Vilarelho da Raia a Rabal, apenas 600 metros separam as duas aldeias. As últimas casas de Vilarelho estão mesmo encostadas na fronteira. A única indicação da existência da fronteira é a mudança de piso e a sinalética em galego mesmo no limite fronteiriço

Antigo posto da Guarda Fiscal


                                      Sinais da linha de fronteira


Rabal
Pequena aldeia raiana do município de Oimbra, na província de Ourense



Fronteira de Vilarelho da Raia - San Cibrao
Liga as Aldeias de Vilarelho da Raia e San Cibrao separadas por 3 km. No lado espanhol está alcatroado e são 600 da linha de fronteira à aldeia. O acesso por Portugal é em estrada de terra pelo meio dos terrenos agrícolas.



O acesso por caminho de terra desde Vilarelho da Raia, e desde a 
linha de fronteira até Sam Cibrao em alcatrão 


San Cibrao
 Aldeia raiana do município de Oimbra, na província de Ourense






Fronteira de Vilarinho da Raia - Rabal
Liga as aldeias de Vilarinho da Raia e Rabal, separadas por 2 km, a linha de fronteira está situada a uma distância de cem metros da última casa da aldeia. Vilarinho da Raia, é uma pequena aldeia da freguesia de Vilarelho da Raia, com cerca de 100 habitantes. 







Residencial São Neutel
Este Blogue teve o apoio e ficou alojado nesta etapa das fronteiras do Alto-Tâmega na Residencial São Neutel, em Chaves, um alojamento, de gestão familiar com pequeno-almoço incluído, hi-fi em todo o hotel, quartos cómodos, estacionamento privado, e preços económicos, na nossa opinião a melhor opção em Chaves na relação preço qualidade.
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